Brasileiro consome 5,2 litros de defensivos por ano?

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Informação fora de contexto


O número de 5,2 litros per capita/ano foi obtido fazendo uma conta simplista: dividir o total de litros de defensivos utilizados no país pelo número de habitantes. Em primeiro lugar, é preciso lembrar que lavouras como soja, algodão e milho, onde é aplicada metade dos agroquímicos do país, são culturas de exportação. Esses alimentos não são consumidos no Brasil. Também vale lembrar que o algodão, a cana para o etanol e as flores não são ingeridos.


Outro ponto importante é que há herbicidas que são aplicados apenas antes do plantio. Não atingem, portanto, o alimento que será consumido. Além disso, os agricultores respeitam um prazo entre a última aplicação do produto e a data da colheita justamente para evitar que essas substâncias sejam consumidas. O engenheiro agrônomo da Embrapa Alfredo José Barreto Luiz explica que o prazo é calculado para que não haja perigo ao consumidor.


O engenheiro agrônomo Luiz Lonardoni Foloni, professor e pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp), desmente um dos maiores mitos da agricultura brasileira – o de que o País seria o maior consumidor de defensivos agrícolas no mundo. Segundo ele, o erro ocorre porque se pinça equivocadamente apenas o valor total utilizado, manipulando uma estatística fora do seu contexto.


O especialista sustenta que o cálculo correto (do ponto de vista científico e técnico) seria relacionar a quantidade de ingrediente ativo aplicado por unidade de área de produção. “Considerando o uso por unidade, Holanda e Japão são os maiores consumidores de defensivos. O Brasil está lá para o décimo lugar”, revela Foloni.


Defensivos são usados com critério


O engenheiro agrônomo Luiz Lonardoni Foloni, professor e pesquisador da Unicamp, lembra que só o Brasil cultiva duas a três safras em um mesmo ano, “um ativo que os outros não têm, tudo isso precisa ser avaliado”, explica. Foloni defende que “não é verdade” a afirmação de que o produtor rural utiliza defensivo sem critério.


“Grandes e médios produtores, além dos pequenos agricultores mais bem informados fazem o manejo correto. O desafio é levar educação focada em boas práticas agrícolas a quem ainda não tem acesso”, afirma. Ele admite, porém, que a ciência de proteção de cultivos é mal explicada para o grande público, que por outro lado é influenciado por ativistas que disseminam terror infundado.


O professor lançou o livro “2,4-D: Uma Visão Geral”. Em entrevista ao Portal Agrolink, ele conta que esse agroquímico foi o “primeiro herbicida orgânico sintetizado pelo homem, lá na década de 1940”.


“Sempre fez muito sucesso, e até hoje é o herbicida mais utilizado na produção de cereais. Apareceram uma série de dúvidas e confusões, como o erro de dizer que fazia parte do ‘agente laranja’, usado como arma no Vietnã. Então surgiu a ideia de colocar em livro todo o histórico do 2,4-D, desmentir as controvérsias e apontar que não existe razão toxicológica para retirar o produto do mercado, porque é seguro”, conclui.


Nós não comemos algodão, por exemplo


O cálculo de quem acusa o Brasil de ser o maior consumidor de agrotóxicos leva em conta os defensivos utilizados em culturas que não são alimentos, como o algodão, florestas plantadas, cana para produção de álcool, flores etc.



Matéria da revista Veja

http://veja.abril.com.br/blog/cacador-de-mitos/mito-8220-o-brasileiro-ingere-5-litros-de-agrotoxicos-por-ano-8221/

 

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