Pecuária é responsável pelo efeito estufa?

Clique nas caixas para expandir

Cientistas revelam: pecuária bem manejada é benéfica ao meio ambiente


Cientistas da Embrapa mediram durante cinco anos as emissões de rebanhos de todo o país e chegaram à conclusão que a pecuária nacional emite menos gases de efeito estufa do que se calculava e, bem manejada, pode apresentar balanço positivo. A Rede de Pesquisa Pecus contou com o trabalho de mais de 350 cientistas de 27 unidades da Embrapa, cerca de 50 instituições parceiras nacionais e oito internacionais estudaram a dinâmica de gases de efeito estufa na pecuária em todos os biomas brasileiros (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal).


O grupo criou uma metodologia que reproduz com maior precisão a realidade dos rebanhos nacionais, o que trouxe à tona uma nova realidade. A pecuária emite menos Gases de Efeito Estufa (GEEs) do que era estimado pelo Painel Intergovernamental do Mudanças Climáticas (IPCC), especialmente em relação ao óxido nitroso.


O estudo também revelou que o trabalho com os animais, nos últimos anos, é cada vez mais sustentável ambientalmente e é capaz de até de retirar carbono da atmosfera se manejado com técnicas adequadas. Segundo a coordenadora da Rede Pecus, Patrícia Anchão Oliveira, “sistemas de produção de gado de corte com animais e pastagens bem manejados têm potencial para apresentar um balanço de carbono positivo, mesmo sem a introdução de árvores. Um bom manejo permite retirar mais gases de efeito estufa do que a atividade é capaz de lançar na atmosfera.


Há diversas causas, como carros, geladeiras e ar-condicionado, mas só a agropecuária leva a culpa


De acordo com o World Resources Institute, as principais atividades geradoras de gases de efeito estufa no mundo são: geração de eletricidade e calor, 24,9%; indústria, 14,7%, transporte, 14,3%, agricultura, 13,8%, mudanças no uso do solo, 12,2%; outros combustíveis, 8,6%; processos industriais, 4,3%; emissão de gases provenientes de equipamentos pressão, 4%; lixo, 3,2%.


Ainda conforme o WRI, no Brasil as causas são uso de florestas e terras, 61%; agricultura, 19%; geração de energia, 15%; atividades da indústria, 3%; e tratamento de resíduos, 2%.


Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o clorofluorcarbono é responsável por 20% dos gases de efeito estufa. Ele é utilizado em geladeiras, aparelhos de ar-condicionado, isolantes térmicos e espumas, como os propelentes de aerossóis.


O Brasil foi o primeiro país a assinar e ratificar, em 1994), a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, o que mostra a preocupação do país, já naquela época, sobre os avanços do aquecimento global.


Saiba mais:


https://ricardobarreto.jusbrasil.com.br/artigos/230600810/as-principais-fontes-dos-gases-efeito-estufa-no-brasil-e-sua-regulamentacao


Em 40 anos, Brasil reduziu à metade a emissão de metano


Segundo o coordenador geral da Embrapa Agropensa, Geraldo Martha Junior, a pecuária brasileira emite a metade de metano que emitia há 40 anos. Martha Junior disse ainda que o Brasil é referência em sustentabilidade, sendo uma das poucas potências do agronegócio mundial que ainda possui mais de 60% da suas florestas preservadas.


Saiba mais:


http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Sustentabilidade/noticia/2016/07/brasil-emite-metade-de-metano-que-emitia-ha-40-anos.html


https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/8226444/emissoes-de-gases-de-efeito-estufa-na-pecuaria-sao-medidas-no-pantanal


Gás carbônico faz mais estragos


Os gases emitidos pelo gado seriam os grandes responsáveis pela emissão de metano, um dos responsáveis pelo efeito estufa. No entanto, o grande vilão é o gás carbônico emitido por fábricas e carros. “No caso dos ruminantes, é possível reduzir a emissão de metano mexendo na dieta dos animais e diminuindo o tempo para o abate”, afirma o agrônomo Sérgio Raposo, da Embrapa.


Se o consumo de carne é ruim, devemos deixar de produzi-la e consumi-la? Pelo contrário. Em entrevista ao Jornal da Unicamp, o agrônomo Rafael Silva apontou o aumento no consumo da carne – e não a redução – como um dos principais fatores associados à diminuição das emissões. A revelação é estudo conduzido pelo matemático da Unicamp em conjunto com o Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imecc) da Unicamp e em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Faculdade Rural da Escócia, vinculada à Universidade de Edimburgo, e o Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica da França (Inra).


Aumento das áreas de pastagens e da produtividade são as soluções


Um aumento de 30% na demanda pelo gado de corte reduzirá 4% do total das emissões de gases do efeito estufa (GEEs). E uma diminuição no consumo da carne na mesma proporção elevaria em 5% as emissões totais. A recuperação de pastagens é a maior oportunidade do país para retirar o carbono da atmosfera.


Para atingir uma demanda crescente pelo consumo interno e pelas exportações de carne, há duas opções para os produtores: aumentar a área de pastagem, desmatando, ou intensificar a área existente, produzindo mais por hectare.


Segundo a FAO, a adoção de melhores práticas e tecnologias existentes para a alimentação, saúde, criação de gado e gestão de esterco ou o uso de geradores de biogás e dispositivos de economia de energia, permitiriam reduzir a emissão de gases em 30%. Fonte: R7


Amazônia tem espaço para criar 240 milhões de cabeças de gado sem desmatamento



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *